Quarta-feira, Janeiro 14, 2008A Questão Judaica |
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Qual a real história por traz da atual onda de violência e bárbarie que têm assolado o Oriente Médio, no qual Israel vem praticando um terrorismo de Estado que tem provocado a morte de milhares de palestinos na Faixa de Gaza, incluindo idosos e crianças? |
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Palestina é a denominação dada a um estreito situado no Oriente Médio, entre a costa oriental do Mediterrâneo e as margens do Rio Jordão, de favorável passagem entre a África e Ásia. Constituía-se num corredor natural para os antigos exércitos. Em meados do século XV a.C. a região é conquistada pelo faraó Tutmósis III, mas será perdida no final da XVIII dinastia, para ser novamente reconquistada por Seti I e por Ramsés II. Com o enfraquecimento do poder egípcio em finais do século XIII a.C., a região será invadida pelos Povos do Mar. Um destes povos, os Filisteus, fixa-se junto à costa onde constroem um poderoso reino. Contemporânea a esta invasão é a chegada das tribos hebraicas, lideradas por Josué. A sua instalação no interior gerou guerras com os Filisteus, que se recusam a aceitar a religião hebraica. As tribos hebraicas decidem então unir-se para formar uma monarquia, cujo primeiro rei é Saul. O seu sucessor, David (início do I milénio a.C.) derrota finalmente os Filisteus e fixa a capital do reino em Jerusalém. Durante o reinado do seu filho, Salomão, o reino vive um período de prosperidade, mas com a sua morte é dividido em duas partes: a norte, surgirá o reino de Israel (com capital na Samaria) e a sul, o reino de Judá (com capital em Jerusalém). Ao longo dos séculos seguintes a região foi dominada por outras potências tais como a Assíria (722 a.C.), os babilônicos (séc. VII a.C.), os persas aquemênidas (539 a.C.), os greco-macedônios (331 a.C. a 142 a.C.) passando por uma retomada pelos locais Asmoneus que dominaram até o ano de 63 a.C. quando a região foi dominada pelo Império Romano. |
No ano de 66 d.C. uma rebelião de judeus (os antigos hebreus) foi fortemente reprimida pelos romanos com a destruição do templo de Iavé no ano de 70, e novamente no ano de 131 a pax romana foi abalada por rebeliões ao fim das quais o imperador Adriano transformou Jerusalém na Colonia Aelia Capitolia. Após A divisão do Império Romano, a Palestina passou a ser parte do Império Romano do Oriente, ou Império Bizantino. Entre 324 d.C. e 638 d.C., a região experimentou extrema prosperidade e crescimendo demográfico, tendo a esta altura população de maioria cristã No ano de 614 d.C. a região é dominada pelos persas Sassânidas que mantém seu jugo até o ano de 628 e no ano de 638 toda a região está sob o domínio árabe muçulmano. Ao fim do longo domínio árabe de mais de quatro séculos, a religião islâmica acabou amplamente majoritária, seguindo-se de uma pequena minoria de cristãos e um menor número ainda de judaítas Samaritanos, até quando, no ano de 1072, sobreveio a conquista da região pelos turcos seldjúcidas que tinham capital em Bagdá.
No ano 1099 com a Primeira Cruzada europeus conquistaram Jerusalém e lá estabeleceram o seu domínio sob o nome de Reino Latino de Jerusalém cuja existência em meio à sociedade islâmica se demorou até o ano de 1187 quando a cidade foi reconquistada por Saladino. |
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Após a expulsão dos Cruzados, a Palestina tornou-se parte do Sultanato mameluco do Egipto, integrada no distrito de Damasco. Sob a administração mameluca a região viveu cerca de 100 anos de prosperidade. Em 1516 as forças do Sultão Selim I derrotam os Mamelucos na batalha de Marj Dabiq, e ocupam a totalidade da Palestina, passando o controle ao Império Otomano. Os Otomanos, cuja religião oficial era a islãmica, mantiveram a posse da região até 1918, quando foram derrotados na Primeira Guerra Mundial. Em 1873 os primeiros emigrantes judeus europeus, sionistas, começam a chegar à Palestina. As terras exploradas por estes colonos eram arrendadas diretamente à administração Turca. Durante os domínios assírio, babilônico, persa, grego, romano, bizantino e sassânido, a presença judaica na região diminuiu por causa de expulsões em massa, sendo muito pequeno o número dos que retornaram à região depois disso. A maioria dos judeus se espalhou pelo mundo, principalmente na Europa, Rússia e partes da África.
Por toda a Idade Média, os judeus foram brutalmente perseguidos na Europa e Rússia, especialmente após o estabelecimento do Santo Ofício da Igreja Católica Romana, que elaborou um bem-sucedido esquema de extermínio de judeus, responsabilizando-os pela morte de Jesus Cristo, o principal messias da religião de Roma. Embora algumas famílias judias tenham sido extremamente bem-sucedidas econômicamente e acumulado uma extensa fortuna, incluindo os Rothschilds, os Benettons e os Rockefellers; a maioria contiunou alijada da vida social e econômica, vivendo em extrema pobreza. Com o advendo do Iluminsmo e o fim da Inquisição, a perseguição aos judeus arrefeceu e estes começaram a desenvolver um reformado e profundo senso de unidade étnica. A reação da Rússia e da Europa Oriental à essa nova postura isolacionista foi a realização durante o séc. XIX dos pogroms, chacinas generalizadas de judeus seguida da destruição de seus lares, centros religiosos e comerciais. |
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Entre 1881 e 1884 uma onda maciça de pogroms varreu o sul do Império Russo, levando à emigração maciça dos judeus. Foi criado o movimento sionista, que defendia que o único meio de encerrar a peseguição aos judeus era o estabelecimento de um "Estado Judaico". Vários lugares foram sugeridos para o estabelecimento desse novo Estado, incluindo-se o Quênia e a Argentina entre outros. Foi só em 1897 que o movimento sionista decidiu-se por criar um estado judeu na região da Palestina. A população era em sua maioria esmagadora árabe e mulçumana (desde o ano 614 d.C.), com apenas alguns assentamentos judeus (cerca de 50.000 judeus) remanescentes que viviam como cidadões do Império Otomano.
Durante a Revolução Russa de 1917 e a conseqüente Guerra Civil Russa, o Exército Branco, defensor da monarquia, identificou os judeus como atores principais do "complô judaico-bolchevique", realizando vários pogroms e provocando a emigração em massa de judeus para a Europa. Os europeus responderam com o endurecimento do racismo e perseguições contra judeus. Após a decisão unilateral do movimento sionista (considerado um movimento racista pela ONU até 1991) de fundar o "Estado Judaico" na Palestina, ocorreu um aumento da imigração de judeus que fugiam dos pogroms da Europa oriental. Essa imigração aumentou o número de judeus para 100.000 em 1925, apesar do Império Britânico ter tantado impedir o fluxo migratório. Foi então que se iniciaram os conflitos étnicos na região, pois os imigrantes judeus se consideravam donos legítimos do território (dado a eles por Deus), vendo os árabes como usurpadores (apesar da colonização árabe ter ocorrido ha mais de 1300 anos). Foi após a ordem de imigração do movimento sionista que foram criados os primeiros grupos terroristas fundamentalistas na palestina: O Bar-Giora (1907, depois Hashomer - 1909 e finalmente Haganah - 1920) e o Irgun ( ou Etzel - 1931); ambos constituídos por terrorista JUDEUS recém-imigrados. Importante lembrar que um dos líderes do Haganah foi David Ben-Gurion. Após a "independência" de Israel o Irgun se transformaria no Herut; partido de direita que mais tarde se transformaria no Likud e no Kadima, enquanto o Haganah daria origem à Forças de Defesa de Israel e ao Partido Trabalhista (de esquerda). Além de Ben-Gurion, também foram "militantes" do Irgun proeminentes nomes da política israelense, como Yitzhak Rabin, Ariel Sharon, Rehavam Zeevi, Dov Hoz, Moshe Dayan, Yigal Allon e Ruth Westheimer. Mas vamos retomar a ordem cronológica. Em 1917 durante a Primeira Guerra Mundial, o ministro Britânico de Relações Exteriores, Arthur Balfour a "Declaração de Balfour", que diz que "O governo de Sua Majestade encara favoravelmente o estabelecimento, na Palestina, de um Lar Nacional para o Povo Judeu..." e que "seja claramente entendido que nada será feito que possa prejudicar os direitos civis e religiosos das comunidades não-judaicas na Palestina, ou os direitos e estatuto político usufruídos pelos judeus em qualquer outro país." A Legião Judaica, um grupo composto principalmente por batalhões de voluntários sionistas, auxiliou o exército britânico na conquista da Palestina, até então posse Otomana. Grupos árabes de oposição estimularam motins na Palestina como resposta à formação do Haganah. Os objetivos principais do Bar-Giora e do Irgun era estabeler o Estado judaico na Palestina. Por "Estado judaico" entanda-se uma nação de maioria judaica regida por leis fortemente baseadas na religião judaica, às quais todos os cidadões deveriam se submeter independentemente de seu credo ou etnia. No caso do Irgun os objetivos eram bem específicos: "expulsar os Britânicos da Palestina, derrotar politicamente os Árabes, trazer um milhão de colonos Judeus por ano e colonizar ambas as margens do rio Jordão". Para atingir esses objetivos numa região amplamente povoada por mulçumanos há muitos séculos, os dois grupos optaram pela violência. Ambos falicilitavam a entrada ilegal de imigrandes judeus na Palestina e utilizavam táticas terroristas para amedrontar e expulsar um grande número de famílias árabes da suas terras. Essas propriedades eram prontamente colonizadas por imigrantes judeus. O terrorismo judaico e a expulsão das famílias palestinas de suas terras causou o acirramento dos conflitos, com atos de violência de ambas as partes. |
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A imigração judaica aumentou em 1933, em resultado da ascensão ao poder de Hitler. Entre 1933-36 a população judaica na Palestina aumentou de 230.000 para 400.000. Em 15 de Abril de 1936 os Árabes declararam uma greve geral contra a ocupação de seu território e o esmagamento demográfico sofrido pelos árabes por estrangeiros que se auto-proclamavam "o povo escolhido" e os donos legítimos do território. A greve rapidamente se tornou numa rebelião aberta. Somente em outubro o Império Britânico só conseguiu restaurar a ordem. Haviam morrido 138 Árabes, 80 Judeus e 33 soldados Britânicos. O governo Inglês começou a se dar conta da amplitude do problema e a adotar medidas desesperadas. Em 1937 uma Comissão Real[5] anunciou um plano para dividir o protectorado em dois Estados: a Galileia e a planície junto à costa pertenceriam aos Judeus. Gaza, Sameria, a Judéia do Sul e o deserto de Negev seriam governadas pelos Árabes. Os Britânicos manteriam o controlo de Jerusalém, Belém, Jaffa e Lod. Os judeus prontamente concordaram com o plano, mas os Árabes não. Eles compreendiam que qualquer concessão aos sionistas seria rapidamente seguida por mais exigências e intimidação. O plano nunca foi implementado. Em 1940 foi fundado o Gang Stern, grupo para-militar judeu de extrema-direita. O Gang Stern não tolerava qualquer limitação à expansão sionista e tentou, imediatamente, forçar uma mudança de política assassinando oficiais Britânicos. O ódio pelos Britânicos era tanto que os considerava um inimigo maior do que Hitler, e opunha-se a que judeus se alistassem para a guerra contra a Alemanha. Em Setembro de 1940, o Gang Stern entrou em negociações com Mussolini, através de um emissário, e em Janeiro de 1941 Stern enviou, pessoalmente, um agente a Beirute para entregar uma carta aos representantes do Reich, solicitando apoio à causa sionista. Talvez os líderes do grupo estivessem muito concentrados nas atividades na Palestina e não conhecessem a realidade da "questão judaica" na Alemanha nazista. Foi também no Gang Stern que o futuro Primeiro Ministro de Israel, Yitzhak Shamir, adquiriu notoriedade, assumindo a liderança do grupo terrorista após a morte de seu fundador. O extremismo político de Stern, as tentativas de ligação com os Nazistas e os assaltos à mão-armada valeram-lhe o desprezo da maioria dos Judeus. Também em 1940 o Haganah iniciou uma série de atentadoa à bombas contra navios britânicos, afundando o SS Patria no porto de Haifa (1940) e o SS Struma no mar Negro (1942), matando 1039 homens, mulheres e crianças. Em 1942 o Gang Stern assassinou Lorde Moyne, Secretário de Estado Colonial Britânico para a Palestina, durande sua estada no Cairo, capital do Egito. Os dois membros do Gang Stern responsáveis pelo assassinato foram presos e executados pelo exército britânico. Yitzhak Shamir, futuro primeiro-ministro de Israel, trouxe seus restos mortais para Israel, onde ambos foram sepultamos com honras pela comunidade judaica. Até hoje ambos são considerados "heróis da independência" em Israel, tendo nomes de ruas e monumentos dedicados a eles. |
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O Nacionalismo Sionista havia afundado em caos o território da Palestina, desmoralizado o governo britânico e assumido a poder de fato sobre a região. Em julho 1946, a Agência Judaica, de David Bem-Gurion, realizou um atentado à bomba contra o hotel King David, que servia de escritórios do Secretariado do governo Palestiniano e de Quartel General do exército Britânico, deixando 91 mortos. Os atos de barbárie se sucederam, tornando impossível a vida social na região e aterrorizando os funcionário britânicos. Em 1947, o governo britânico acabou declarou que era incapaz de chegar a uma solução aceitável para ambos os lados e decidiu encerrar o mandato britânico sobre a Palestina, entregando a Administração à recém-criada Organização das Nações Unidas (ONU), que aprovou o Plano de partição da Palestina (Assembléia Geral das Nações Unidas através da Resolução 181) em 29 de novembro de 1947, dividindo o país em dois Estados, um árabe e um judeu. Jerusalém foi designada para ser uma cidade internacional administrada pela ONU para evitar um possível conflito sobre o seu estatuto. A comunidade judaica aceitou o plano, mas a Liga Árabe e a Comissão Superior Árabe o rejeitaram. Em 1º de dezembro de 1947 o Comissão Superior Árabe proclamou uma greve de 3 dias e os grupos árabes começaram a atacar alvos judeus. Uma guerra civil começou com os judeus inicialmente na defensiva, mas gradualmente partindo para o ataque.
Em 10 de abril de 1948 a população árabe de Nasr el Din foi massacrada. Em 5 de maio de 1948 foram mortos homens, mulheres e crianças da aldeia de Khoury. No dia em que o mandato Britânico acabou, em 14 de Maio de 1948, o Estado de Israel declarou independência, escolhendo Ben-Gurion como Primeiro-Ministro. Nete mesmo dia os aldeões de Beit Drass foram chacinados. Na aldeia de Deir Yassin, a Irgun matou 250 Árabes, numa orgia de violência sem precedentes. O Secretário de Estado Britânico para as Colônias disse: "Esta bárbara agressão é uma prova de selvageria. É um crime a acrescentar à longa lista de atrocidades cometidas pelos sionistas até este dia, e para o qual não conseguimos encontrar palavras de repulsa." Perto do final de 1948, o Gang Stern assassinou o mediador das Nações Unidas para a Palestina, o Conde Folke Bernadette. A economia árabe-palestina desmoronou e 250.000 árabes-palestinos fugiram ou foram expulsos. A Síria, Líbano, Iraque, Arábia Saudita, Egito e Jordânia não reconheceram a independência de Israel e decidiram apoiar a população árabe palestina, iniciando movimentos de exércitos regulares para ingressar na região. Estava deflagrada a Primeira Guerra árabe-israelense. Seguiu-se a esta a Guerra de Suez (1956). Em 1964 Yasser Arafat e Khalil al-Wazir fundaram o Fatah, grupo para-militar que reivindica a criação de um Estado palestino. Mais tarde o Fatah renunciou a luta armada e se tornou um partido político palestino, ocupando a presidência da OLP (Organização para a Libertação da Palestina).
Postado por Kaiser às 16:00 |